Bike Tour Club
231º Cicloturismo

Relato do cicloturismo solidário
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A Bike Tour Club realizou neste último fim de semana (dias 29 e 30 de novembro de 2008) a Pedalada Solidária, conforme estava prevista. Diante do cenário que se abateu sobre o litoral catarinense, antecipadamente nos certificamos através de vários contatos em Garuva, Pirabeiraba, Joinville e Barra do Sul, da viabilidade da realização da mesma. Chegamos a Garuva com muita chuva e até foi cogitado o retorno a Curitiba. Porém Américo e Tio Gusso garantiam que iria sair sol e tínhamos a missão da entrega dos donativos, sendo assim, seguimos direto para a Estrada do Palmital. Após contato com moradores locais, prosseguimos com nosso objetivo e ainda debaixo de chuva iniciamos a pedalada.
 
 
 
 
 
  Logo fizemos as primeiras entregas de cestas básicas e nos tocou a solidariedade destes que diziam: _ Não, deixe para outros mais à frente que precisam mais. Nosso primeiro obstáculo foi a lama. As bicicletas passaram, mas recomendamos ao Tio Gusso que retornasse com a van e o ônibus para nos encontrarem mais adiante.  
 
 
  A maior parte da estrada estava em condições normais de tráfego, apenas com muitas pedras lavadas pela enxurrada. A todo instante se ouvia através dos rádios: _ Gusso na escuta? Gusso na escuta?... Logo nos encontramos e mais um obstáculo surgiu. Um trecho de estrada alagada. Mais uma vez as bicicletas passaram sem dificuldade, ou melhor, tivemos de fazer algum malabarismo e novamente a equipe de apoio foi obrigada a fazer um desvio. A chuva logo parou. já se via um pouco de céu azul, mas alguns ainda permaneciam no ônibus. Como estamos habituados a percorrer aquela região, nos chamou a atenção a destruição causada por alguns rios agora barrentos e com forte correnteza, que levaram parte de suas margens, derrubando algumas árvores e bananeiras. A ponte pênsil tão conhecida em nossas paradas para lanche, desta vez não era opção, era a única alternativa pois a ponte de madeira logo abaixo estava coberta de água se é que ainda estava lá. Prosseguimos na pedalada e logo surgiu a primeira ponte de concreto. Aí os moradores improvisaram uma pinguela.  
 
 
 
 
  A fúria das águas levou parte da estrada antes e depois do concreto, impossibilitando a passagem de automóveis. Novamente nos certificamos das vantagens da bicicleta e atravessamos sem dificuldades. Sempre em contato pelo rádio: _ Gusso na escuta? Gusso na escuta? E logo nos encontramos. Na sorveteria Rolfzietzme (da Dª Dete) fizemos o nosso lanche-almoço e conversando com alguns moradores nos inteiramos das necessidades enfrentadas por alguns que tiveram suas casas alagadas e perderam o pouco que tinham. Entregamos mais algumas cestas, travesseiros, roupas de cama e a solidariedade nos toca quando um dos moradores nos diz que não precisava de calçados pois as crianças já haviam recebido e que deixássemos para outros. Dona Dete que sempre nos recebe sorrindo preparou até um delicioso cafezinho e ficou encarregada de entregar alguns donativos. Seguimos nosso caminho. Bicicletas para um lado, van e ônibus para outro, pois à frente havia mais uma ponte de concreto interditada. Moradores fizeram um banco de areia e pedras e pudemos atravessar a ponte ainda coberta de lama.  
 
 
 
 
  O tempo já estava firme e todos resolveram pegar sua bikes. Fomos até Joinville, margeando o Rio Cubatão, com sua forte correnteza e águas turvas, era um “rio chocolate” muito diferente daquele que estamos acostumados a ver.  
 
 
 
 
     
  Primeira etapa cumprida, embarcamos bicicletas e cicloturistas. Jefferson, Edson, Alexandre e Flávio que já haviam se separado do grupo alguns quilômetros antes, seguiram pedalando para Barra do Sul. Retomamos a pedalada na localidade de Conquista, passamos pela reserva indígena e Damião contrafeito foi obrigado a dar passagem a um índio que vinha de bicicleta na contramão, afinal estávamos invadindo o território silvícola e não seria nada conveniente uma trombada ou arrumar uma briga. Estranhos no ninho éramos nós. Já Tio Gusso não perdeu a oportunidade e anunciava no rádio que tinha cruzado com um irmãozinho do Américo. Chegamos ao Hotel no anoitecer. O domingo foi espetacular, de muito sol e praia lotada. Uns “machos” arriscaram até um banho gelado na piscina. Conforme previsto, às 16:00h deixamos o Hotel e durante a viagem pudemos observar as marcas deixadas por vários deslizamentos de terras e muitos terrenos alagados. Este Cicloturismo nos deixou algumas lições: SOLIDARIEDADE, DESPRENDIMENTO, PERSEVERANÇA e para nós que somos ciclistas, veio reafirmar as VANTAGENS DA BICICLETA como meio de locomoção, não poluente, saudável, que promove fácil intercâmbio entre pessoas e adaptável a todo tipo de terreno.

Agradecemos de coração, em nome dos catarinenses, a todos que participaram deste evento ou fizeram suas doações, destacando a empresa Akivest. Agora vamos torcer para que São Pedro feche as torneiras do céu em todas as regiões alagadas e abra o registro nas áreas de seca.

Maristela Dorigo
 
 


PARK BIKE e BIKE TOUR CLUB
LEVANDO CONFORTO E ESPERANÇA.